5. O Hóspede Oculto | A Tempestade



NO EPISÓDIO ANTERIOR

Cristóvão: não, senhor Marcos. Agora trata-se de um roubo.

Cassandra: roubo?

Cristóvão: roubaram minha moto.

Marcos: e o que nós tem haver com isso? Como acha que nós podíamos ter roubado sua moto se estamos todos presos aqui? Que tolice!

Cristóvão: o fato é que foi roubada.  Ninguém aqui viu, ou lembra ter visto minha moto próximo ao depósito nos fundo da cozinha,

Marcos: sim. Eu recordo ter visto, sim. Mas depois, não o vi mais. Até pensei que o senhor tinha ido embora.

Cristóvão: não o viu mais lá?

Marcos: não.

Cristóvão: o senhor tem de se lembrar.

Marcos: não adianta gritar comigo, rapaz. De modo que não sei dizer se a droga dessa moto estava em outro lugar. Que me interessa saber. O senhor que é o dono é quem deve se preocupar.

Cristóvão: me desculpem. Não gostaria de está dando esse transtorno a vocês.

Gilberto: mas, a questão é: quem roubou esta moto? Que interesse tinha em roubá-la? Debaixo desse temporal? No mínimo estranho.

Marcos: deve ser possível encontrá-los. Se todos nós procurarmos. Não se trata exatamente de uma agulha no palheiro.

Cristóvão: também não é assim. Isso pode ser exatamente o que estão querendo que nós façamos.

Marcos: desculpe, mas não compreendi.

Cristóvão: eu estou, agora, na posição de ter de me colocar no lugar de um cérebro louco, porém ardiloso. Tenho que imaginar o que ele quer que nós façamos e o que ele estará planejando como seu próximo golpe. Tenho que tentar ficar um passo adiante dele. Porque, se não ficar, haverá outra morte.

Cassandra: o senhor continua acreditando nisso?

Cristóvão: continuo, senhorita. Estamos como ratos. A ratoeira já foi posta. Dois ratos já estão liquidados. Ainda há um rato a ser providenciado. Há seis pessoas aqui me ouvindo. Uma delas é a vítima, e a outra... O assassino!

Fade-out

 

NO EPISÓDIO DE HOJE

Cena 1. Interna – hotel resplendor – saguão – noite.

Na continuidade...

Cristóvão: um é o assassino. Ainda não sei quem é, mas saberei. E outro dos presentes é a vítima em perspectiva desse assassino. É a essa vítima que me dirijo. A sra. Boyle me ocultou fatos e a sra. Boyle está morta. Você seja você quem for está me sonegando informações. Pois não o faça. Porque está correndo perigo. Quem mata duas vezes não hesita em matar uma terceira. No estado em que estão as coisas, eu não sei quem precisa de proteção. Como é, vamos, qualquer pessoa aqui que tenha qualquer motivo, por pequeno que seja, para sentir-se culpada por aqueles acontecimentos de há tanto tempo, ficará melhor se contar tudo. (pausa.) muito bem, não querem. Eu vou pegar o assassino — não tenho dúvidas disso — mas pode ser que seja tarde demais para um dos presentes. E ainda tenho uma coisa mais a dizer. O assassino está se divertindo com isso. Divertindo-se muito... (pausa.) muito bem — podem ir.

Todos saem.

Cassandra está de pé junto à lareira, perdida em

Pensamentos.

Cristóvão: (para plácido) o que foi que o senhor disse à senhora, para perturbá-la tanto?

Plácido: eu, sargento? Ora, uma brincadeira inocente. Eu sempre gostei de fazer piadas.

Cristóvão: existem brincadeiras boas — e outras não tão boas.

Plácido: ora, o que será que o senhor quer dizer com isso, detetive?

Cristóvão: eu tenho andado pensando a seu respeito, meu senhor.

Plácido: verdade?

Cristóvão: a essa altura da vida, não está um pouco velho para andar às voltas com mulheres?

Plácido: meu caro detetive, é possível que eu não seja tão velho quanto pareço.

Cristóvão: era exatamente o que eu estava começando a pensar.

Plácido: o quê?

Cristóvão: que talvez não fosse tão velho quanto procura parecer. Há muita gente tentando parecer mais moça do que é. Se alguém quer parecer mais velho, bem, a gente começa a se perguntar por quê?

Plácido: tendo de fazer tantas perguntas a tanta gente, o senhor ainda faz, também, perguntas a si mesmo? Será que não está exagerando?

Cristóvão: talvez obtenha resposta de mim mesmo. Do senhor parece que não consigo muitas.

Plácido: pois bem, tente de novo. Isto é, se é que ainda tem mais perguntas a fazer.

Cristóvão: uma ou duas. De onde estava vindo, quando veio parar aqui?

Plácido: de angra.

Cristóvão: corretor?

Plácido: não. Que interesse o senhor tem em saber disso tudo?

Cristóvão: não se esqueça que o senhor está sendo suspeito de um homicídio. E isso não é brinquedo nem piada.

Plácido: (não gosta) a inquisição terminou, por enquanto?

Cristóvão: por enquanto, sim.

Plácido: muito obrigado.

Plácido sai. Cristóvão olhando para ele saindo.

Cassandra caminha até a escada.

Cristóvão: um momento, por favor, senhorita.

Cassandra: falou comigo?

Cristóvão: falei.

Cassandra: o que deseja?

Cristóvão: gostaria de algumas informações suas.

Cassandra: o que deseja saber?

Cristóvão: há quanto tempo está no rio?

Cassandra: dois dias.

Cristóvão: e veio direto pra cá?

Cassandra: sim. Já havia feito a reserva.

Cristóvão: o que a trouxe a hotel resplendor, senhorita?

Cassandra: estava procurando um lugar sossegado.

Cristóvão: e quanto tempo planejava, ou planeja, permanecer aqui?

Cassandra (em tom enigmático) até terminar o que vim fazer aqui.

Cristóvão cenha o rosto, num gesto de surpresa.

Cristóvão: o que foi que veio fazer aqui?

Cassandra: perdão. Estava pensando em outra coisa.

Cristóvão: não respondeu à minha pergunta.

Cassandra: e não vejo, realmente, por que haveria de responder. É um assunto que só diz respeito a mim. Assunto estritamente particular.

Cristóvão: a senhorita nasceu aqui no rio?

Cassandra: não. Em Brasília. E isso tem importância?

Cristóvão: não sei. O que está fazendo aqui?

Cassandra: isso parece preocupá-lo.

Cristóvão: e me preocupa.

Cristóvão caminha até ela, carinhosamente pega em seu rosto, vai subindo até puxar seus cabelos com força.(e com isso mostra seu lado até então desconhecido do público.)

Cristóvão: diabos você está fazendo aqui?

Cassandra: (apavorada, assustada) eu... Oh, meu deus...

Cristóvão a solta, sai para o lado, se desfazendo. Cristiano aparece e já tendo visto a cena.

Cristiano: sempre pensei que a polícia não podia torturar ninguém.

Cristóvão: eu estive apenas interrogando a senhorita Cassandra.

Cristiano: pois parece tê-la transtornado. (para ela.) o que foi que ele fez?

Cassandra: (disfarçando) não, não foi nada. É só que tudo isso... É tão horrível. De repente, tudo isso me pegou. Vou subir para o meu quarto. (sai pela escada.)

Cristóvão: (seguindo-a com os olhos.) é impossível... Eu não posso acreditar...

Cristiano: não pode acreditar em quê? Mas que coisa... O senhor parece que viu um fantasma.

Cristóvão: vi alguma coisa que deveria ter visto antes. Estava cego. Porém creio que agora poderemos chegar a alguma conclusão.

Cristiano: a polícia arranjou uma pista?

Cristóvão: finalmente, a polícia tem uma pista. Quero todos reunidos aqui novamente. Sabe onde estão?

Cristiano: eu vou chamá-los. (sai.)

Cena 2. Interna – hotel resplendor – saguão – noite.

Minutos depois...

Estão todos presentes, menos Cassandra. Ambos sentados, apreensivos, curiosos.

Milena: é preciso disso agora? Estou muito atrapalhada.

Cristóvão: há coisas mais importantes do que refeições.

Marcos: uma forma muito inábil de apresentar a questão, detetive.

Cristóvão: lamento muito. Porém desejo cooperação de todos.

Cassandra: (entrando) o que é que está acontecendo?

Cristóvão: senhora Milena, a sua atenção, por favor? Hão de lembrar que depois do assassinato da senhora Beatriz eu tomei depoimentos de todos. Neles ficavam determinadas as posições de todos na hora em que o crime foi cometido. E são as seguintes:(consultando seu caderno) a senhora Milena na cozinha, o senhor plácido tocando piano na sala de visitas, o senhor Gilberto em seu quarto, o senhor Cristiano no seu e a senhorita Cassandra na biblioteca. O senhor Marcos (pausa, olha para ele) no depósito.

Marcos: correto.

Cristóvão: essas foram as declarações que fizeram. Não tive meios de verificá-las. Podem ser verdadeiras, ou não. Para ser mais claro, cinco declarações são verdadeiras, porém uma é falsa. Qual delas? (pausa enquanto olha a todos, um a um.)cinco dos senhores estavam dizendo a verdade; alguém estava mentindo. Tenho um plano que talvez ajude a descobrir o mentiroso. E se eu descobrir quem me mentiu... Então saberei quem é o criminoso.

Cassandra: não, necessariamente. Alguém pode ter mentido, por outros motivos.

Cristóvão: eu duvido.

Gilberto: mas que ideia é essa? O senhor acabou de dizer que não tinha meios de verificar as declarações.

Cristóvão: não; mas suponhamos que todos tornassem a repetir suas ações.

Plácido: a reconstituição do crime.

Cristóvão: não teremos uma reconstituição do crime, senhor plácido. Uma reconstituição dos movimentos de pessoas aparentemente inocentes.

Marcos: e o que espera descobrir com isso?

Cristóvão: hão de me perdoar se não esclarecer esse ponto agora.

Gilberto: quer dizer, então, que quer uma espécie de repetição?

Cristóvão: exatamente, senhor Gilberto.

Milena: é uma armadilha.

Cristóvão: o que quer dizer com uma armadilha?

Milena: é uma armadilha. Eu sei que é.

Cristóvão: eu só quero que todos façam exatamente o que fizeram antes.

Cristiano: (também desconfiado.) mas não percebo, não vejo o que pode sonhar descobrir simplesmente fazendo as pessoas repetirem as mesmas coisas antes. Eu acho uma asneira.

Cristóvão: acha, senhor Cristiano?

Milena: bem, pode me deixar de fora. Estou ocupada demais na cozinha.

Cristóvão: eu não posso deixar ninguém de fora. (levanta-se e olha em volta) olhando para os senhores, dá para pensar que todos são culpados. Por que tamanha má vontade?

Gilberto: é claro que o que o senhor disser está dito, detetive. Todos nós vamos cooperar. Não é, querida?

Milena: sim.

Cristóvão: as mesmas ações serão executadas, porém não necessariamente pela mesma pessoa.

Gilberto: não percebo a razão para tudo isso.

Cristóvão: mas há uma razão. É um meio de se verificar as declarações originais, e possivelmente uma declaração, mais particularmente. Agora, então, todos façam o favor de prestar atenção: designarei as novas posições de cada um. Senhor Cristiano, tenha a bondade de ir para a cozinha. Dê uma olhada no jantar se não me engano, o senhor gosta de cozinhar. (Cristiano sai) senhor plácido, o senhor irá para o quarto do senhor Cristiano. Senhor Marcos, o senhor irá para o quarto do senhor Gilberto e verificará o telefone de lá. Senhorita Cassandra, se importaria de ir para o depósito? Infelizmente, preciso de alguém que reproduza minhas próprias ações. Lamento pedir-lhe isso, senhor Gilberto, mas será que poderia sair por aquela janela e verificar o fio do telefone até perto da porta principal?

Marcos: e o senhor, o que vai fazer?

Cristóvão: (cruzando até o rádio, ligando-o e desligando-o.) eu vou representar o papel da senhora Beatriz.

Marcos: não será arriscado, detetive?

Cristóvão: peço que todos fiquem em seus lugares até me ouvirem chamá-los.

Cassandra sai. Gilberto sobe até a janela e abre a cortina. O Marcos sai também. Cristóvão, com um aceno de cabeça, manda plácido sair.

Gilberto: não se importa se eu usar um casaco?

Cristóvão: eu o aconselharia a usá-lo, sim.

Gilberto pega seu casaco no tripé da recepção, veste-o e volta à janela. Cristóvão faz anotações em seu caderno.

Cristóvão: leve minha lanterna. Está atrás da cortina.

Gilberto sai. Cristóvão cruza para a porta da biblioteca e sai. Após uma pequena pausa ele torna a entrar, apaga a luz da biblioteca, vai até a janela, fecha-a e cerra a cortina. Vai para perto da lareira e afunda na poltrona grande. Após uma pausa levanta-se e vai para a porta.

Cristóvão: senhora Milena! Conte até vinte, depois comece a tocar.

Milena aparece.

Milena: o senhor está parecendo muito satisfeito. Conseguiu o que queria? 

Cristóvão: consegui exatamente o que queria.

Milena: já sabe quem é o assassino?

Cristóvão: sim, já sei.

Milena: e quem é?

Cristóvão: a senhora deveria saber, senhora Milena.

Milena: eu?

Cristóvão: é. A senhora tem sido extraordinariamente tola, sabe? Correu toda espécie de perigo de ser assassinada me escondendo a verdade. Consequentemente, novamente está em grande perigo.

Milena: não sei do que é que está falando.

Cristóvão: (cruzando lentamente para o sofá, ainda perfeitamente natural e amável.) vamos, vamos, senhora Milena. Nós, os policiais, não somos tão estúpidos quanto pensa. Desde o princípio eu sabia que a senhora tinha conhecimento de primeira mão do caso da fazenda de campos. Para falar a verdade, a senhora sabe tudo a respeito dele. Por que não disse logo o que sabia?

Milena fica sem jeito, senta, acuada.

Milena: eu queria esquecer. Esquecer.

Cristóvão: seu nome de solteira era Valadares?

Milena: era.

Cristóvão: Milena Valadares. A senhora ensinava na escola que aquela criança frequentava.

Milena: ensinava.

Cristóvão: é verdade, não é, que a menina antes de morrer conseguiu remeter-lhe uma carta? A carta implorava por ajuda. Por uma ajuda de sua jovem bondosa professora. A senhora jamais a respondeu.

Milena: porque eu jamais a recebi.

Cristóvão: a senhora pura e simplesmente não se deu ao trabalho.

Milena: isso não é verdade. Eu estava doente. Caí com pneumonia exatamente naquele dia. A carta foi guardada, junto com outras. Passaram-se semanas antes que eu lesse, com todo o resto. E, a essa altura, a pobre menina estava morta... (fecha os olhos) morta... Esperando que eu fizesse alguma coisa, e aos poucos perdendo as esperanças... Isso me atormenta desde então... Se ao menos eu não tivesse ficado doente — se ao menos eu tivesse sabido... É monstruoso que coisas assim possam acontecer.

Cristóvão: (desconfiado) sim, é monstruoso. (tira um revólver do bolso.)

Milena: (assustada) eu pensei que detetive não usasse revólver...

Cristóvão caminha até ela. Meio sombrio, enigmático.

Cristóvão: detetives não usam... (e revela-se) mas eu não sou da polícia, senhora Milena. A senhora achou que eu era um policial porque eu telefonei de um telefone público e disse que estava na delegacia e que o detetive Cristóvão estava a caminho. Eu cortei os fios do telefone antes de entrar. Sabe quem eu sou, senhora Milena?(revela) sou Jorge, o irmão de Jamyle.

Milena olha para ele, surpresa e espantada.

Cristóvão: é melhor não gritar, senhora Milena. Porque se gritar eu (aponta arma) atiro... Eu gostaria de conversar um pouco com a senhora. Eu disse que queria conversar um pouco. Jamyle morreu. Aquela mulher malvada a matou. E puseram ela na prisão. Mas a prisão não era o bastante para ela. Eu disse que um dia matava ela... E matei, sabe? No meio da neblina. Foi ótimo, sabe? (ri, cínico) “eu mato todos eles quando crescer.” foi isso que eu falei para mim mesmo. Porque quem é crescido pode fazer tudo o que quiser. (alegremente, feito um desvairado) eu vou matar a senhora daqui a pouco.

Nesse momento entra marcos e os demais.

Marcos: acho melhor não... Jorge. Você não vai conseguir escapar desta vez, sabe?

Num impulso Cristóvão (Jorge) pega Milena e a faz de refém. Põe a arma na cabeça dela.

Cristóvão: foi tão divertido. Só ficar olhando para vocês todos. E fingindo que era da polícia. (ri.)

Gilberto: (apavorado) largue minha mulher, seu assassino.

Marcos: calma, senhor Gilberto. Esse revólver não vai fazer muito barulho.

Cristóvão (Jorge) olha pro revólver, faz cara de surpresa. Milena aproveita dá um safanão, derrubando a arma. Corre para junto de Gilberto.

Cristiano e plácido pega ele e prende.

Cassandra emocionada, caminha até ele.

Cristóvão:(tentando se soltar, com raiva) me larga! Me larga seus imundos.

Cassandra: Jorge? Você me conhece, não é? Não se lembra da fazenda, Jorge?

Cristóvão: (carinhoso, tentando reconhecê-la) san-sandrinha? É você? O que é que você veio fazer aqui?

Cassandra: eu vim ao rio procurar você. Mas eu não o reconheci.

Cristiano, plácido sai com Cristóvão e Cassandra. Marcos pega o revólver, verifica o tambor. Está vazio.

 

Gilberto: você está bem, querida?

Milena: quem poderia sonhar que fosse esse policial? Ele é louco. Completamente louco.

Gilberto: eu sei, mas você...

Milena: eu estava metida naquilo tudo. Era professora na escola. Não foi culpa minha — mas ele pensava que eu poderia ter salvo a menina.

Gilberto: você devia ter me contado.

Milena: mas eu queria esquecer.

Marcos: desde o princípio que eu estava de olho nele.

Milena: estava? O senhor não acreditou que ele fosse da polícia?

Marcos: eu sabia que não era simplesmente, senhora Milena, porque eu sou da polícia.

Milena: o senhor?

Marcos: no momento em que encontramos aquele caderninho. Soubemos que era vital ter alguém aqui. Quando consultado, o senhor Marcos Dutra concordou em deixar-me vir em seu lugar. Eu não conseguia compreender, quando Cristóvão apareceu. Ele se passou por um dos membros da nossa equipe. O verdadeiro Cristóvão Alencar está morando atualmente em fortaleza.

Milena: cassandra é irmã dele?

Marcos: é. Parece que ela o reconheceu antes deste último golpe dele. Ela não sabia o que fazer mas, felizmente, veio me procurar, no último momento. (olhando pela janela) bem, parece que a chuva deu uma trégua.

Gilberto: bom, obrigado pela cooperação senhor Marcos.

Marcos: Feliciano do Amaral, seu criado. Na realidade, o único policial aqui era eu.

Gilberto aperta sua mão, em agradecimento. Marcos sai. Fica Gilberto e Milena.

Gilberto: Milena, o que é que você foi fazer na tijuca, ontem?

Milena: (vai até o balcão da recepção, abre a gaveta e retira um passaporte. Volta pra ele.) fui comprar um presente para nós dois. Lembra que dia é hoje? Estamos fazendo dez anos de casados.

Gilberto: oh querida! (se beijam.) eu também tenho um presente pra você.

Gilberto retira uma caixinha preta do bolso do casaco. Milena abre e ver uma gargantilha de ouro.

Milena: (maravilhada) meu deus! Que coisa linda, meu amor.

Gilberto: é para grandes ocasiões.

Milena: que beleza, querido. Coloca em mim.

Gilberto pega e coloca em Milena.

Gilberto: gostou? A moça da loja disse que era a última moda.

Milena vai se olhar no espelho.

Milena: é linda, meu amor.

Gilberto: quando eu vi o falso policial fazendo você de refém, eu quase desmaiei de tanto medo. Medo de perder você, querida. (se beijam.)

Ouvem um tiro.

Milena: o que foi isso?

Gilberto: parece tiro.

Marcos entra, descendo a escada.

Marcos: acudam senhores! Jorge fez algo terrível.

Cena 3. Externa – frente do hotel – noite.

Cai uma pequena garoa. Cristiano, plácido com capas de chuva, assustados olhando para o lado. Cassandra na janela, chorando olhando para baixo, surge Gilberto, Milena e marcos. A câmera vai se aproximando e mostra o corpo de Cristóvão (Jorge) caído sobre um lamaçal. Vemos sangue escorrendo da têmpora esquerda e um revólver ao lado.

Cassandra: ele se jogou e depois atirou contra si.

Cristiano: quem diria que ele fosse ser o hóspede oculto.

A câmera se afasta, indo de encontro a um corvo sobre o telhado do hotel. Dá um grunhido, bate as asas e sai voando pela imensidão do escuro. Um raio mostra apenas sua pequena silhueta sobrevoando o céu. Seu grunhido ecoa pela cidade.

Fade-out

 

Fim do quinto e último capítulo


 


A Tempestade

Temporada 1 | Episódio 5

 

Criado e Escrito por:

Nathan Freitas

 

Elenco:

Gilberto Reis

Milena Reis

Cristiano Soares

Beatriz Campos

Marcos Dutra

Cassandra vieira

Plácido Gutierrez

Cristóvão Alencar

 

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