8. Velhos Amigos | A Vontade do Mal


CENA 01. CASA DE MURILO. QUARTO. TARDE. INT.

 

Aline continua fazendo carinho em sua barriga. A entidade se aproxima da cama e fica ao lado dela. A criança dentro do ventre de Aline se mexe e isso a faz sorrir.

 

ALINE (feliz)

Alguém aqui parece que ficou animado de repente.

 

DEMÔNIO

Lógico, ele sentiu a minha presença ao seu lado.

 

A entidade se aproxima da barriga, ergue a mão para tocá-la. Murilo entra no quarto neste momento.

 

MURILO

Amor, eu estou indo para aquele compromisso com o Jairo. Pode deixar que quando eu voltar, eu lavo as louças.

 

ALINE

Vem cá, bem. Vem sentir o nosso filho se mexer.

 

MURILO (feliz)

Ele está mexendo?

 

Caminha apressado até a cama, senta-se ao lado da barriga de Aline, coloca a mão sobre ela. A entidade fica com uma expressão séria no rosto.

 

MURILO

Ué, não estou sentindo nada.

 

ALINE

Estranho. Ele estava se mexendo nesse momento.

 

MURILO

Não quer brincar com o papai, é filhão? Bem, de qualquer forma, tenho que ir amor. (se levanta) Falei para o Jairo que já estava de saída.

 

ALINE

Tudo bem.

 

Murilo beija brevemente sua esposa, vai em direção a porta.

 

MURILO

Qualquer coisa, só me ligar. Vou estar com o celular sempre comigo.

 

ALINE

Pode ir tranquilo, amor. Vamos ficar bem.

 

MURILO

Até mais, então.

 

Murilo sai do quarto, Aline se acomoda um pouco na cama, aproveita o silêncio da casa para tirar um cochilo. A entidade a observa por alguns segundos, desaparece na sequência.

 

CENA 02. CASA DE SAMUEL. SALA. TARDE. INT.

 

Regina está em pé ao lado do sofá, angustiada por não conseguir falar com o filho pelo telefone. Meire entra na sala, na mesma situação.

 

MEIRE

Eu revirei o quarto de ponta a cabeça e não encontrei nada. Nenhuma pista para onde ele possa ter ido.

 

REGINA

O celular dele só cai na caixa postal.

 

MEIRE

Precisamos encontrá-lo, Regina. Algo muito maligno está atrás dele.

 

REGINA (preocupada)

Como assim, Meire? (toca no crucifixo em seu pescoço) O que está atrás do meu filho?

 

MEIRE (séria)

De uma forma ou de outra, acho bom você saber o que está acontecendo. É melhor você se sentar.

 

As duas sentam-se. Regina está de frente para Meire, completamente angustiada.

 

MEIRE

Preciso que você acredite em mim, está bem?! (direta) Tem um demônio atrás do seu filho!

 

Um calafrio estranho percorre o corpo de Regina, que aperta mais forte seu crucifixo.

 

CENA 03. IGREJA. TARDE. INT.

 

Murilo está em um clima quente com uma de suas fiéis. Os dois estão se pegando em um quartinho ao fundo da igreja onde ele prega. Ele está sem a parte debaixo da roupa e ela com parte do vestido levantada. Ela está sentada em uma mesinha, com Murilo no meio de suas pernas.

 

MULHER (ofegante)

Qual foi a desculpinha que você inventou para a sua esposa?

 

MURILO (ofegante)

Eu disse que iria sair com o seu marido. E você? O que disse para o Jairo?

 

MULHER (ofegante)

Disse que iria visitar sua esposa.

 

MURILO (ofegante)

Sabe que nossas mentiras têm um ponto fraco, né? Se o seu marido liga lá para casa e a Aline atende, na hora ele vai saber que você não está lá.

 

MULHER (ofegante, ri)

Da mesma forma que o Jairo não está com você.

 

MURILO (ofegante)

Por isso que precisamos nos apressar com isso.

 

Murilo aumenta um pouco o ritmo da relação que estão tendo. A entidade aparece logo atrás deles, assiste toda a cena com uma expressão de desaprovação no rosto.

 

CENA 04. CASA DE SAMUEL. SALA. TARDE. INT.

 

Regina fica em estado de choque, ao ouvir tudo aquilo de Meire.

 

MEIRE (séria)

Entende agora por que precisamos encontrar o Samuel.

 

REGINA (perplexa)

Não. Isso não é verdade, Meire?!

 

MEIRE

O que não é verdade, Regina? De demônios existirem? Uma mulher da igreja assim como você, deveria saber que eles existem e que estão por aí. Não é para isso que vocês oram? Para que Deus nos livre do mal?

 

REGINA (se levanta)

Demônios, Meire? Logo com o meu filho.

 

MEIRE (se levanta)

E acredito que com o meu irmão também! Não sei se era a mesma entidade demoníaca, mas acredito que meu irmão também tenha passada pela mesma situação que o seu filho.

 

REGINA

Foi isso o que aconteceu com o Miguel?

 

MEIRE

Eu suspeito que sim. Mas depois que o levaram, não pude continuar minhas conversas com ele. E onde ele está, também não o deixam fazer visitas.

 

REGINA (se senta)

E eu achando que ele...

 

MEIRE

Todos nós achávamos. (celular toca)

 

Meire pega o celular de sua bolsa, repara quem está ligando. Seu corpo se tranquiliza, ao ver que é Elis.

 

MEIRE

Oi! Já chegaram? Que bom. Eu estou nesse momento na casa do Samuel, só que aconteceu um problema. (olha para Regina) Ele sumiu!

 

CENA 05. RODOVIA. ÔNIBUS. TARDE. INT.

 

Vista aérea do ônibus de Samuel. Na sequência, é mostrado o rosto de Samuel pela janela do veículo. Ele observa aquela paisagem, com uma expressão séria no rosto.

 

CENA 06. IGREJA. TARDE. INT.

 

Após o clima ter esquentado no quartinho ao fundo, Murilo e a mulher saem, como se nada tivesse acontecido. A igreja está vazia, caminham até a porta.

 

MURILO

Melhor você ligar para o seu marido, avisando que já está voltando para a casa.

 

MULHER

Digo o mesmo para a sua esposa.

 

MURILO

Uma hora dessa ela deve estar repousando.

 

Murilo destranca a porta. A mulher se aproxima dele, coloca seus braços ao redor da cintura de Murilo.

 

MULHER

Quando vamos nos ver novamente?

 

MURILO

Eu mando mensagem pra você.

 

MULHER (ri)

Da última vez que você falou isso, recebi uma mensagem sua 05 meses depois.

 

MURILO

Eu não posso ficar dando bandeira assim. Sabe que tem que ser em momentos oportunos. Ainda mais com o meu filho a caminho.

 

MULHER

Tudo bem, tudo bem. Eu espero. (o beija)

 

MURILO

Até hoje à noite. (abre a porta)

 

MULHER

Até.

 

A mulher vai embora. Murilo a observa por um tempo, fecha a porta na sequência. Ao se virar, vê a entidade na forma de Samuel a sua frente.

 

MURILO (se assusta)

Que susto! Quem é você? Como entrou aqui?

 

DEMÔNIO (sorri)

Olá, pastor! Creio que alguém aqui está precisando confessar os seus pecados.

 

Seus olhos ficam vermelhos, o pastor se apavora ao presenciar aquilo.

 

CENA 07. CASA DE MURILO. QUARTO. NOITE. INT.

 

Aline desperta após cochilar a tarde inteira. Repara o quarto um pouco escuro, acende o abajur da cômoda ao lado. Sente o silêncio em casa.

 

ALINE

Murilo? (se ajeita na cama) Já chegou, amor?

 

Ela não recebe resposta alguma. Isso a preocupa. Pega o celular sobre a cômoda, disca para o marido.

 

CENA 08. CASA DE SAMUEL. COZINHA. NOITE. INT.

 

Meire e Regina passaram o resto do dia tentando falar com Samuel. Sem contato e acreditando que talvez o demônio tenha o levado, ambas buscam uma outra forma de encontrá-lo.

 

MEIRE

Se realmente ele tiver sido levado por esse demônio, creio que o único jeito é aguardar o contato da Elis e do Benjamin.

 

REGINA (nervosa)

Eu não posso ficar esperando, Meire. O meu filho pode estar morto uma hora dessa, enquanto estamos aqui fazendo nada. (chora)

 

MEIRE

Calma, querida. O Samuel está bem, acredita em mim. (segura a mão de Regina, a conforta) Não podemos fazer nada, infelizmente. Elis e Benjamin são profissionais neste assunto. Vamos deixar eles encontrarem uma forma de expulsar esse demônio da vida do Samuel. Até lá, o que nos resta é esperar e.../

 

REGINA (interrompe)

...e orar! (ergue a mão dela) Pai nosso que estais no Céus... (fecha os olhos) ...Santificado seja o vosso Nome...

 

MEIRE (ora junto)

...Venha a nós o vosso Reino, seja feita a sua vontade.

 

Meire segura a outra mão de Regina. As duas estão de olhos fechados, oram por Samuel.

 

CENA 09. IGREJA. NOITE. INT.

 

O corpo de Murilo está grudado na parede ao lado de uma cruz de madeira. Seu corpo está com alguns cortes, feitos pela entidade.

 

DEMÔNIO

Então quer dizer que você tinha nove amantes. (finge surpresa) Uau! (bate palmas)

 

MURILO

Por favor, eu já falei o nome de todas elas, me deixa ir embora. A minha esposa está grávida. Ela deve estar precisando de mim.

 

DEMÔNIO

Não se preocupe com a sua esposa. Ela ficará bem. Assim como o menino que ela carrega.

 

MURILO (surpreso)

Como você sabe que ela espera um menino?

 

DEMÔNIO

Eu sei de muita coisa. Mas, isso não vem ao caso.

 

Se aproxima dele, o corpo de Murilo treme de medo, com aqueles olhos vermelhos vindo em sua direção.

 

MURILO (apavorado)

Por favor, por favor, me deixa ir embora. Eu juro, por tudo que é mais sagrado que serei fiel a minha esposa. Serei um marido exemplar pra ela.

 

DEMÔNIO (ri)

Vocês humanos são tão divertidos. (olha para a cruz ao lado) Por que não ora para o seu Deus? Talvez ele venha aqui te salvar.

 

Murilo fecha os olhos e começa a orar rapidamente. É nítido o seu medo, nas palavras que emite. A entidade o observa atentamente, com um grande sorriso no rosto.

 

MURILO (apavorado)

...livrai-nos do mal, amém!

 

Abre os olhos e percebe que continua no mesmo pesadelo.

 

DEMÔNIO (ri)

Acho que você não orou com muita fé. Mas vamos lá, eu vou te ajudar. (junta as mãos) É assim que se faz, não é? (fecha os olhos, sarcástico) O grandioso Deus, criador de todas as coisas, salve essa alma pecadora de não ir para o inferno. (abre os olhos) Acho que ele não quer te salvar não! (ri)

 

MURILO (chora)

O que foi que eu fiz pra você, cara?

 

DEMÔNIO

Não é nada pessoal, vai por mim. Eu não dou a mínima para quantas amantes você tem, se você ama ou não sua esposa. Pessoas infiéis tem aos montes por aí, eu poderia escolher qualquer um para finalizar minha transição. No entanto, a criança que está sendo gerada por sua esposa, é muito importante para os meus planos. E ela só pode ter um pai biológico apenas. E nessa história meu amigo, o pai não é você.

 

Com um gesto de mãos, a entidade vira o pescoço de Murilo. Desgruda o corpo dele da parede, o deixa cair no chão. Uma última transformação ocorre em seu corpo. A entidade fecha os olhos e sente cada vez mais a sua permanência física na Terra. Sorri, abres os olhos e sente seu corpo quase completo. Ele coloca a mão no peito, porém não sente nada batendo.

 

DEMÔNIO (feliz)

Preciso de um coração, quem diria. E é você quem me dará um, Samuel!

 

Olha para a cruz da parede a frente, seu rosto logo fica sério. Com um gesto de mãos, a vira de ponta a cabeça.

 

DEMÔNIO (sério)

Como podem acreditar em um Deus que os abandonou a séculos?!

 

Desaparece do local.

 

CENA 10. CASA DE MURILO. SALA. NOITE. INT.

 

Aline entra na sala lentamente. Sente algumas dores em suas pernas, caminha devagar até o sofá. A entidade aparece na sala, a observa. Com a presença dele ali, a criança no ventre dela começa a mexer.

 

ALINE

Calma, meu amor. O papai ainda não chegou, está bem?! (senta-se no sofá) Também gostaria muito de saber onde ele está.

 

Aline tenta ligar mais uma vez para o marido. Ao cair na caixa postal, começa a ficar preocupada. Ela disca para outro número.

 

ALINE

Alô, mamãe. Oi, estou bem sim. É o Murilo. Ele saiu hoje a tarde com o Jairo e até agora não voltou. Estou com medo de que tenha acontecido alguma coisa.

 

CENA 11. LANCHONETE. NOITE. EXT.

 

O ônibus que Samuel pegou, parou em uma lanchonete ao lado da rodovia. Alguns passageiros aproveitaram essa parada para comprarem alguma coisa ou irem ao banheiro. Samuel está encostado próximo ao ônibus, a noite está fria e o que ele quer é apenas que o ônibus continue sua viagem e se afaste cada vez mais de sua casa.

 

CENA 12. APARTAMENTO DE CONRADO. QUARTO. NOITE. INT.

 

Conrado (39 anos, moreno, alto) está ao telefone com alguém. A entidade demoníaca aparece ao lado da janela, o observa.

 

CONRADO

Pode deixar, que amanhã mesmo esse dinheiro estará em sua sala. Não se preocupe, que quem irá entregar tem bastante experiência nisso. (vira-se, ver a entidade na janela, sorri) Pode dormir sossegado. Tenho que desligar agora! Um velho conhecido acabou de aparecer na minha frente.

 

Desliga o celular, o joga na cama. Abre os braços, parece feliz ao ver a entidade.

 

CONRADO (sorri)

Como você demorou, meu irmão!

 

A entidade se aproxima de Conrado e os dois se abraçam. Um abraço longo e forte, como se os dois não se vissem há muito tempo.

 

DEMÔNIO

Demorei bem mais do que o esperado.

 

CONRADO

Estava pensando que eu mesmo teria que te invocar.

 

DEMÔNIO (encerra o abraço)

Não foi preciso. Demorou um pouco, mas o Samuel finalmente colocou o ódio dele para fora.

 

CONRADO

Que bom. Parece que ele é diferente do pai, quem diria.

 

DEMÔNIO

Sim. Samuel é frágil. Foi muito fácil incitar esse sentimento a sair.

 

CONRADO

Como anda sua transição? Finalizou? Você está completo neste planeta?

 

DEMÔNIO

Falta apenas o coração dele. (coloca a mão no peito)

 

CONRADO

E por que você não resolveu isso logo? Não vai me dizer que está com pena de matá-lo?

 

DEMÔNIO

Pena? Eu? (ri) É claro que eu vou matá-lo. Só que no momento o garoto enlouqueceu e saiu da cidade. Uma hora dessa, ele deve estar indo rumo a Bahia. Ele pensa que saindo da cidade, pode fugir de mim. (caminha pelo o quarto) Coitado.

 

CONRADO

E a criança?

 

DEMÔNIO

Sendo bem cuidada pela a mãe. Eu consegui dar um jeito no falso pai. Ele foi a última alma da minha transição.

 

CONRADO (ri)

Esse é o meu irmão! Estou tão feliz por você estar aqui comigo.

 

DEMÔNIO

Eu também. (repara o quarto) Belo quarto. Pelo o visto, tem assumido uma vida bem importante. (ao irmão) Quem é esse aí?

 

Aponta para a forma humana que o outro demônio está assumindo. Conrado sorri, dá uma girada e se apresenta.

 

CONRADO

Esse é Conrado Andrade. Casado com uma bela esposa, tem uma filha e quando ele me invocou, era um simples candidato a prefeito de uma cidadezinha pequena do interior, que queria fazer a diferença. Em pouco tempo o ajudei a se tornar governador. Ao conhecer esse lado corrupto da política, logo o coitado ficou traumatizado. (ri) Daí foi fácil se infiltrar em sua cabeça e em seu coração. E aqui estou. Me preparando para o próximo passo: a presidência da república! E o seu? É igual ao pai?

 

DEMÔNIO

Típico de você ir atrás de poder neste mundo. O meu é um carinha que estava cansado de tantas injustiças. Estava cansado de ver as pessoas fazendo maldade umas com as outras.

 

CONRADO

Todos estão.

 

DEMÔNIO

Ele mora com a mãe ainda e trabalhava em uma loja de brinquedos. Pediu demissão ao pensar que estava ficando louco, igual ao pai dele. Que aliás, você o conhece muito bem.

 

CONRADO

Miguel! Se ele não tivesse resistido tanto, eu já estaria nesse mundo faz tempo. Mas, nem sempre as coisas saem como planejado e agora estou nesse aqui.

 

DEMÔNIO

E o plano? A que passos estamos?

 

CONRADO

Avançando, em um ritmo lento, mas avançando.

 

DEMÔNIO

Quero ficar a par de tudo, entendeu. A criança logo nascerá e eu preciso ficar perto dela.

 

CONRADO

Eu contarei tudo se você aceitar jantar com a gente.

 

DEMÔNIO (ri)

E desde quando os demônios jantam agora?

 

CONRADO

Quando você assume uma vida humana por 13 anos, você acaba tendo que se adaptar.

 

DEMÔNIO

Eca.

 

CONRADO

Até que a comida humana não é tão ruim assim. (se aproxima dele) A empregada daqui é uma senhora de 60 anos, mas a velha até que cozinha bem. (coloca o braço ao redor do pescoço da entidade) Você irá gostar.

 

DEMÔNIO

Não, por favor. Eu não vou comer.

 

CONRADO

Vai sim. Eu sou mais velho. Estou mais tempo aqui. E a gente não se vê há muito tempo. Nem pensar que vou deixar você sair hoje.

 

DEMÔNIO

Tenho que vigiar a mãe da criança. Provavelmente, já chegou aos ouvidos dela que o marido está morto.

 

CONRADO

Ela vai ficar bem. E mesmo assim, se o marido está morto, é porque ele não prestava. (o leva até a porta) Estou louco para te apresentar a minha família. (feliz) Finalmente estamos juntos, irmão!

 

Conrado sai do quarto comemorando ao lado da entidade.

 

CENA 13. CASA DE SAMUEL. COZINHA.  NOITE.  INT.

 

Meire está sozinha na cozinha, entretida em algumas pesquisas pelo notebook. Não consegue encontrar nada que possa ajudar o sobrinho. Olha para o celular ao lado, parece ansiosa por uma ligação de Elis ou Benjamin. Volta sua atenção para a tela do notebook.

 

CENA 14. ÔNIBUS. NOITE. INT.

 

O ônibus retorna para sua viagem. A maioria dos passageiros estão encostados em suas poltronas tirando um cochilo. Samuel, por outro lado, não consegue fechar os olhos por ter medo de ouvir gritos de pessoas pedindo socorro. Embora esteja longe de casa, uma angústia estranha continua perturbando seu peito. A vista da lua cheia pela janela do veículo, é a única coisa naquele momento que vem o mantendo relaxado.

 

CENA 15. APARTAMENTO DE CONRADO. COBERTURA. NOITE. EXT.

 

Após o jantar, Conrado levou seu companheiro até a cobertura. Ambos observam o brilho da lua, parecem nostálgicos.

 

DEMÔNIO

Na nossa época, não tínhamos uma lua assim.

 

CONRADO

Não tínhamos mesmo. Querendo ou não, a era dos humanos trouxe algumas maravilhas a este planeta.

 

DEMÔNIO (a cidade)

Eu sei. Os humanos ganharam tanto prestígio aos olhos do “Criador”, que receberam esse mundo de mão beijada. E a gente teve que ser banido para o vizinho ao lado, completamente abandonados.

 

CONRADO (sério)

E foi questão de tempo, para os próprios humanos acabarem com o presente dado a eles.

 

DEMÔNIO

Vamos voltar a reinar neste lugar meu irmão. (toca no ombro de Conrado) A guerra que trará a nossa liberdade chegará, e seremos guiados pelo o nosso líder rumo a vitória!

 

Ambos se entreolham, sorriem. Na sequência, se atentam a cidade abaixo. Observam a morada de diversas pessoas, como se fossem soberanos ali.

 

FIM DO EPISÓDIO.



A Vontade do Mal

Temporada 1 | Episódio 8

 

Criado e Escrito por:

Anderson Silva

 

Elenco:

Samuel (Giovanni de Lorenzi)

Benjamin (Eduardo Moscovis)

Elis (Sandra Corveloni)

Regina (Gilda Nomacce)

Meire (Isabele Garcia)

 

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