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abril 10, 2021

5. Supervisor de Conteúdo | Totalmente Incorreto

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CENA 01. UNIVERSIDADE. CANTINA. INT. DIA.

Jason e Richard sentados a tomar café. Edward se aproxima sério com um café e se senta.

EDWARD       —   Bom dia.

JASON           —   Bom dia, Edward.

RICHARD       —   Por que tá tão sério, cara? Aconteceu alguma coisa?

EDWARD       —   Nada não!

JASON           —   Pensei que você chegaria hoje aqui todo se gabando porque conseguiu a Susan.

EDWARD       —   Não quero falar sobre isso.

RICHARD       —   Foi tão ruim assim?

JASON           —   Deixa o cara, Richard. (debochado) Não tá vendo que ele deu os melhores trinta segundos da vida da Susan!

RICHARD       —   (rindo) E depois ela deve ter falado: (voz feminina) Ai, Edward. Você foi o mais rápido de todos!

JASON           —   (debochado) Mais rápido do que a velocidade da luz.

Jason e Richard riem muito, Edward sério.

EDWARD       —   Como vocês são ridículos! Não sabem nem o que aconteceu e ficam falando besteira.

JASON           —   Sabemos sim. A Cristine disse que você foi o mais precoce da vida dela.

RICHARD       —   Verdade. Tinha me esquecido da Cristine. Mas larga o cara, Jason. Podem ser só trinta segundos, mas a mulherada volta porque Edward tem a fama de ser um garanhão, segundo o que Cristine me disse.

JASON           —   Ou o leão rugindo durante o coito.

Jason e Richard engatam no riso e não param mais.

EDWARD       —   (p/si) Eu mereço! Tenho mais o que fazer!

Edward se levanta e sai. Jason e Richard continuam a sorrir. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 02. UNIVERSIDADE. SALA DO REITOR. INT. DIA.

Reitor e Robert sentados a conversar.

REITOR          —   Então, Robert. A universidade está muito contente em recebê-lo para integrar nossa equipe de colaboradores.

ROBERT        —   Eu que agradeço a oportunidade, reitor. Modéstia parte, a universidade está só contente em possuir um escritor renomado como eu?

REITOR          —   Pelo visto você não deixa de ser tão Robert.

ROBERT        —   Ah, sobre isso eu quero lhe informar que criei uma estratégia para deixar de ser tão eu mesmo.

REITOR          —   Seja lá qual for à loucura, não quero saber! Bom, vamos falar da sua missão aqui na universidade a partir de agora. Você foi contrato para ser o supervisor de conteúdo.

ROBERT        —   Isso implica na mudança de algo que não estiver como a universidade exige?

REITOR          —   Bom, acho que um diálogo com o professor do qual você estiver supervisionando o conteúdo, resolveria. Mas creio que alterações serão bem aceitas por todos.

ROBERT        —   Então comecemos por sua sala.

REITOR          —   Como assim? O que tem de errado com minha sala?

ROBERT        —   Na verdade, a sua sala não tem nada de errado. Mas o quadro pendurado na parede está.

REITOR          —   Qual quadro?

ROBERT        —   O que está com a foto da universidade com os dizeres: ‘a universidade deseja a todos os alunos e colaboradores um ano novo repleto de realizações’.

REITOR          —   Não vejo nada de errado!

ROBERT        —   Santo Deus! Me surpreende você ter chegado a reitoria desse jeito. O que está errado ali é a falta da crase no ‘à universidade’.

REITOR          —   Isso daí é só um mero detalhe!

ROBERT        —   Não! Mero detalhe pode ser a sua vista grossa para erros grotescos como este!

Reitor sério encara Robert. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 03. UNIVERSIDADE. SALA ROBERT. INT. DIA.

Robert a analisar um conteúdo das aulas.

ROBERT        —   (P/si) Santo Deus! Ainda enche a boca pra dizer que é mestre em administração. Com esse conteúdo até estudantes adolescentes de cursinhos livres aprendem mais. Conteúdo fraco!

Jason entra indignado e arremata.

JASON           —   Qual é a tua, hein, Robert?

ROBERT        —   Eu é que pergunto! Bata antes de entrar na minha sala!

JASON           —   Acabei de acessar o meu plano de aulas da semana e você mudou tudo. Até o texto!

ROBERT        —   Sim.

JASON           —   Você está aqui para nos auxiliar.

ROBERT        —   (Indignado) Retire o que disse! Isso é um ultraje! Robert, autor de best-sellers ser auxiliar de um mestre em administração que não sabe preparar uma aula que o nível superior exige? Nunca!

JASON           —   Eu possuo mestrado em administração e você? Ah, esqueci. É um doido varrido que acha que entende de administração!

ROBERT        —   Sou escritor e não administrador! Mas te garanto que sei muito mais do que você!

JASON           —   Já chega! O reitor vai ter que resolver isso!

Jason sai da sala, com Robert arrematando.

ROBERT        —   Aproveita e traga um cafezinho da sala dele pra mim. Você é o auxiliar aqui!

CORTA PARA:

CENA 04. UNIVERSIDADE. CANTINA. INT. DIA.

Jason, Richard e Edward sentados.

JASON           —   Robert também mexeu no conteúdo das aulas de vocês?

RICHARD       —   Sim.

EDWARD       —   Mudou tudo praticamente.

JASON           —   Esse maluco regrado não pode chegar aqui e dizer o que devemos ensinar!

EDWARD       —   Então lute.

RICHARD       —   E sozinho porque eu não tô com cabeça pra isso depois de ver uma graduanda piscando pra mim.

JASON           —   Por isso nada muda! Vocês são acomodados demais e aceitam esse tipo de coisa. Temos que lutar contra essa ditadura de conteúdos na universidade!

EDWARD       —   Você não acha que tá exagerando?

Robert se aproxima e se senta a mesa.

ROBERT        —   Cavalheiros...

JASON           —   Sabe, gente... Ultimamente eu não tenho reconhecido mais esta universidade. Estão contratando qualquer um que acha que sabe mais que os professores.

ROBERT        —   A sua tentativa de mensagem subliminar caiu por terra. Ha! E quanto às mudanças no conteúdo, eu apenas estou fazendo um serviço para o qual fui contratado.

JASON           —   O reitor deixou bem claro a sua função aqui. Você deve analisar os textos e criar conteúdos em parceria com os professores.

RICHARD       —   Jason, deixa isso pra lá!

JASON           —   Não! Isso tá errado! Eu fui contrato para lecionar o que aprendi durante a minha vida acadêmica e não vou abaixar a cabeça pra um escritor que acha que sabe mais do que eu!

EDWARD       —   Você não sabe o que tá arrumando pra sua vida desafiando o Robert.

ROBERT        —   Exatamente, Edward.

EDWARD       —   Melhor você parar antes que ele faça da sua vida um inferno com aulas regulares da administração.

ROBERT        —   Que isso, Edward? Eu achei que você curtia as nossas aulas de história da literatura brasileira e internacional. Talvez seja por isso que você falhou miseravelmente como escritor.

Edward coloca o dedo na cabeça em forma de pistola e ‘aperta’ o gatilho com o polegar. Jason e Richard sorriem. Robert sério. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 05. APART ROBERT. SALA. INT. NOITE.

Edward a olhar pelo olho mágico. Robert a escrever.

ROBERT        —   Aí está o mal do brasileiro.

EDWARD       —   (não entende) Como?

ROBERT        —   Você aí olhando o apartamento em frente.

EDWARD       —   Eu não estava olhando o apartamento da Susan. Estava vendo se o zelador estava limpando o hall.

ROBERT        —   Sei. E de repente surgiu em você o interesse na limpeza das áreas livres do prédio?

EDWARD       —   E por que não?

ROBERT        —   Você não engana ninguém com isso.

EDWARD       —   Sabe, Robert... Eu não queria ter que fazer isso, mas já que você é a única pessoa aqui presente comigo, não tenho escolha.

ROBERT        —   Despois de me inferiorizar a você, o que já é ultrajante, ainda espera uma resposta minha?

EDWARD       —   Por favor, cara. Eu tô precisando de uma luz.

ROBERT        —   Eu sou um ser de luz na vida das pessoas, pode falar.

EDWARD       —   Eu comecei do jeito errado com a Susan. Na noite passada a gente ficou e eu acho que não foi bom pros dois...

ROBERT        —   Sabe onde mesmo você e a Susan estão errando?

EDWARD       —   Não, não sei. Onde?

ROBERT        —   Se vocês querem realmente viver um relacionamento, ele deve ser totalmente regrado para que não haja espaço para ‘começar do jeito errado’.

EDWARD       —   Tá louco, Robert? Ninguém consegue colocar regras em tudo. Principalmente se tratando de um relacionamento.

ROBERT        —   Então continue pensando assim, que você se divorciará mais de uma vez!

Robert volta a escrever e Edward fica pensativo. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 06. PRÉDIO. PORTARIA. INT. NOITE.

Sr. Riberio ali sentado. Susan chega à portaria tristinha.

SR. RIBEIRO  —   Boa noite, Susan.

SUSAN           —   Boa noite, seu Ribeiro.

SR. RIBEIRO  —   Tá tristinha... Aconteceu alguma coisa?

SUSAN           —   Talvez o senhor possa me ajudar mesmo.

SR. RIBEIRO  —   Opa! Só falar que eu faço!

SUSAN           —   Sabe, seu Ribeiro... Como o senhor é mais experiente que eu, poderia me dar uma luz... O senhor já esteve em uma noite frustrante com alguém que gostasse do senhor?

SR. RIBEIRO  —   Mas é claro, minha filha! Não só uma noite como no seu caso, mas um casamento frustrante.

SUSAN           —   E como que faz pra acabar com tudo isso, seu Ribeiro, sem magoar a pessoa?

SR. RIBEIRO  —   Bom, minha filha... Infelizmente aqui vai o que você não queria ouvir. Não tem como. Se esse rapaz... É um rapaz mesmo?

SUSAN           —   Sim.

SR. RIBEIRO  —   Ah, bem. Pensei que poderia ser uma moça, porque aí eu teria no que pensar mais tarde, mas, enfim... Se esse rapaz realmente te ama, ele se machucará! Mas se for o melhor para os dois se separar, então separe!

CORTA PARA:

CENA 07. PRÉDIO. HALL DO QUARTO ANDAR. INT. NOITE.

Susan chega à porta de seu apartamento e procura pela chave em sua bolsa. Edward sai.

EDWARD       —   (Sem graça) Oi, Susan.

SUSAN           —   (Sem graça) Ah, oi, Edward.

EDWARD       —   Eu acho que... Precisamos conversar.

SUSAN           —   Verdade. Entre.

Os dois entram e Susan fecha a porta.

CORTA PARA:

CENA 08. PRÉDIO. LANCES DE ESCADAS. INT. NOITE.

Jason e Richard subindo as escadas conversando.

RICHARD       —   Coitado do Edward... Se Robert já faz alterações nos nossos planos de aulas, que nem são áreas do feitio dele, imagine com as do Edward.

JASON           —   Mas o coitado não pode falar nada! Vive de favor na casa do louco do Robert.

RICHARD       —   Eu iria morar na rua, mas não ficaria na mesma casa que esse doido de pedra!

JASON           —   E aí, conseguiu o número da graduanda que piscou pra você?

RICHARD       —   Não. Ela disse está com problema no olho. Por isso piscava sem parar.

JASON           —   E você como sempre, achando que ela tava te desejando.

RICHARD       —   Claro! Uma graduanda linda daquelas piscando pra você sem parar, você acha logo o quê: que ela tá doida por você! Mas o olho esquerdo dela está vermelho de tanta irritação e a coitada fica piscando sem parar.

Jason sorrir e eles continuam a subir os lances de escadas. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 09. APART DE ROBERT. SALA. INT. NOITE.

Robert a escrever. Jason e Richard chegam.

JASON           —   Olha, aí está o que entende mais de tudo do que todos!

RICHARD       —   Inclusive mais do que os que estudaram anos para lecionar o que sabem hoje.

ROBERT        —   Me ocorreu que os dois se opõem ao meu trabalho. Mas o que eu posso fazer se os professores não sabem montar um simples plano de aula com um conteúdo realmente relevante e do nível superior, como deve ser?

RICHARD       —   Mas você não é formado em Ciências Contábeis, assim como eu.

JASON           —   É. E nem em Administração.

RICHARD       —   Isso aí.

ROBERT        —   Sim, realmente não sou formado em Ciências Contábeis e nem em Administração de Empresas... Mas o conhecimento não é algo que somente os que estudam tal área do conhecimento possuem.

RICHARD       —   Mas isso não lhe dá o direito de mudar nosso conteúdo.

ROBERT        —   Lamento informar cavalheiros, mas o reitor me deu total liberdade para decidir o melhor para a universidade, portanto, reclamem com ele e não comigo!

RICHARD       —   (debochado) Uiiii! Tá afiado hoje ele!

Jason rir muito e Robert repudia tal atitude. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 10. APART SUSAN. SALA. INT. NOITE.

Susan e Edward sentados.

SUSAN           —   Olha, Edward... Tá na cara que a noite passada não foi boa para os dois.

EDWARD       —   Verdade. Por isso eu vim aqui conversar com você. Diante do meu mau desempenho, eu acho que você ficou com uma má impressão minha, mas eu quero um segundo round para me retratar!

SUSAN           —   Querido, não se pode mudar o que já é assim. O segundo round teria o quê? Uns quarenta segundos, dez há mais que o primeiro?

EDWARD       —   Susan, eu acho que/

SUSAN           —   (Corta) Devemos terminar o que nem começamos.

EDWARD       —   Sério?

SUSAN           —   Está na cara que somos muito diferentes um do outro. Aliás, nem temos nada sério, foi só uma noite. E um erro.

EDWARD       —   Poxa. Não sabia que você via as coisas desta forma.

SUSAN           —   Pois é, Edward. Mas essa é a verdade. Foi um erro.

EDWARD       —   Bom, nesse caso... Boa sorte pra você vizinha.

SUSAN           —   Igualmente vizinho.

Edward caminha para a saída olhando para Susan e BATE a cara na parede.

EDWARD       —   Ai, meu Deus! Tô bem!

Ele sai. Susan respira fundo.

CORTA PARA:

CENA 11. PRÉDIO. HALL DO QUARTO ANDAR. INT. NOITE.

Edward arrasado ali parado no hall... Puxa do bolso um anel e arremata.

EDWARD       —   (P/si) Mais uma vez metendo os pés pelas mãos! Acabou. Acabou! Bom, pelo menos não dei o anel caríssimo que recuperei da minha ex-esposa, custou uma fortuna mesmo.

Jason e Richard saem carregando Robert que está com a boca, pés e mãos amordaçados e com os olhos vendados. Robert resmunga e se mexe tentando resistir a todo momento.

JASON           —   Vamos levar esse cara.

EDWARD       —   (gritando) Ei, ei, ei! O que que vocês estão fazendo?

RICHARD       —   justiça!

JASON           —   É. Sem ditadores nos conteúdos dos professores.

Robert resmunga algo, mas está amordaçado.

EDWARD       —   Divirtam-se.

Jason e Edward descem a escada.

EDWARD       —   (maravilhado) O apartamento é só meu essa noite.

CORTA PARA:

 

FIM DA TEMPORADA

 


Totalmente Incorreto

Temporada 1 | Episódio 5

 

Criado e Escrito por:

Ramon Silva

 

Elenco:

Robert

Edward

Susan

Richard

Jason

Lisa

Seu Ribeiro

Reitor

 

Rajax © 2021



abril 03, 2021

4. A Fórmula Para Deixar De Ser Tão Robert | Totalmente Incorreto

por , em


CENA 01. PRÉDIO. HALL DO QUARTO ANDAR. INT. NOITE.

Robert, Edward e Susan sobem e ficam ali parados conversando. Robert de fora da conversa, pensativo.

EDWARD       —   E então, Susan? Você estava vindo de algum lugar em especial?

SUSAN           —   Estava na academia do prédio.

EDWARD       —   (surpreso) Não brinca! O prédio tem isso?

SUSAN           —   Tem. Você não sabia?

EDWARD       —   Não. O Robert não me falou.

SUSAN           —   Acho que nós dois sabemos bem porque ele não te falou.

Os dois sorriem.

ROBERT        —   Encontrei a fórmula! Encontrei!

EDWARD       —   Encontrou a fórmula pra quê?

ROBERT        —   O Reitor da universidade disse que eu preciso deixar de ser tão Robert, correto?

EDWARD       —   Sim, mas e daí?

ROBERT        —   Daí que eu a partir de hoje não vou mais falar nada.

EDWARD       —   Gostei disso. Como vai funcionar? E quando começa?

ROBERT        —   As pessoas vão falar as coisas mais insignificantes do mundo comigo e eu não vou responder nada. Apenas balançar a cabeça concordando.

EDWARD       —   E não é que é uma ótima ideia?!

SUSAN           —   Concordo! Já que quando você abre a boca fere o sentimento de alguém.

ROBERT        —   Isso não é verdade. Eu apenas digo a verdade.

CORTA PARA:

CENA 02. APART DE ROBERT. SALA. INT. NOITE.

Robert sentado à mesa digitando no notebook. Edward, Jason e Richard sentados.

RICHARD       —   Vocês precisavam ver como ela caiu na minha.

JASON           —   Não sei porque, mas não confio nessa história.

EDWARD       —   Eu também não.

RICHARD       —   Eu se fosse vocês acreditariam.

EDWARD       —   Você? O cara com as cantadas mais bizarras, conseguir pegar alguém? Convenhamos aqui que é inacreditável!

RICHARD       —   Ah é? Se é tão inacreditável assim, me explica o que a foto dela tá fazendo aqui no meu celular.

Richard mostra o celular com a foto dele e uma jovem em uma selfie no restaurante.

JASON           —   E não é que ele tava falando a verdade?

RICHARD       —   Acreditam agora?

EDWARD       —   Isso me leva a seguinte pergunta: qual é o problema dela?

Edward e Jason sorriem.

RICHARD       —   Como vocês são ridículos! Por que é tão difícil acreditar que eu saí com uma garota completamente normal?

Edward e Jason têm uma crise de riso. Robert ali digitando no computador repudiando o que está a ouvir.

ROBERT        —   (OFF) Santo Deus! Como podem perder tanto tempo com essas conversas irrelevantes?! (Escreve) É difícil demais me conter diante das banalidades que eles estão fazendo agora. Mas eu tenho que tentar deixar de ser Tão Robert e persistir nessa árdua jornada...

Jason percebe Robert ali digitando.

JASON           —   O que ele tem?

EDWARD       —   Quem? O Robert? Nada. Ele encontrou uma fórmula e está deixando de ser tão Robert!

RICHARD       —   Seja lá o que ele tiver fazendo, eu já gostei.

EDWARD       —   Robert, como é que tá indo a sua fórmula?

Robert sem olhar para eles, dá um sinal de “OK” com o polegar.

JASON           —   Sem discursos ou arrogância?

EDWARD       —   Aí é que está o lado bom da coisa. Ele está deixando de ser tão Robert e consequentemente, não fala nada, apenas acena com a cabeça.

RICHARD       —   (maquiavélico) Ah... Então ele não fala nada, né?

Richard se levanta e se aproxima de Robert.

RICHARD       —   Robert, eu não posso deixar de te perguntar uma coisa: fiquei sabendo pelos corredores da universidade que você disse que eu sou um dos piores ou o pior professor da universidade. Isso me leva a seguinte pergunta: eu sou um bom professor?

Robert hesitando em falar, quase fala, mas meneia a cabeça que sim.

RICHARD       —   Gostei desse novo, Robert! Algo me diz que nós vamos nos dar muito bem!

Fora de áudio: Richard volta a conversar com Edward e Jason. Robert ali ainda com a resposta na goela, mas é obrigado a engoli-la.

CORTA PARA:

CENA 03. UNIVERSIDADE. CORREDOR. INT. DIA.

Corredor vazio. Edward, Jason e Richard vêm caminhando.

EDWARD       —   Vocês não imaginam o quão bom está sendo o novo Robert.

JASON           —   Não sei como você pode morar com um cara como ele.

EDWARD       —   Ou eu aturo, ou moro debaixo da ponte.

JASON           —   Mas e sua mãe?

EDWARD       —   Ela mora em Santa Catarina. Eu não posso deixar o Rio assim.

RICHARD       —   No meu modo de ver, o novo Robert está mais do que aprovado. Ele concordou que eu sou um bom professor.

JASON           —   Mas você é!

RICHARD       —   Diz isso pro cara que espalhou por aí o contrário.

EDWARD       —   O fato é que ontem eu errei uma palavra e pela primeira vez não recebi o dicionário em meu quarto enquanto dormia!

JASON           —   Ele faz isso?

EDWARD       —   Duas vezes! Um dicionário de sinônimos e antônimos. Até que é bem interessante.

CORTA PARA:

CENA 04. PRÉDIO. HALL DO QUARTO ANDAR. INT. DIA.

Robert sai de seu apartamento e tranca a porta. Ouvimos um BARULHO de louça caindo no chão e quebrando.

SUSAN           —   (OFF) Ai, mas que droga!

ROBERT        —   (OFF) Tão abestalhada como eu já imaginava.

Ele vai descer a escada, quando Susan arremata por socorro.

SUSAN           —   (OFF) Alguém? Alguém pra me ajudar?! Socorro! Eu cortei o pé!

Ele se volta e bate na porta dela.

SUSAN           —   (OFF) Tá aberta! Entra.

CORTA PARA:

CENA 05. APART DE SUSAN. SALA. INT. DIA.

Susan ali pelo chão. Robert entra tapando os olhos.

SUSAN           —   Ai, Robert. Ainda bem que é você. Você pode me ajudar a levantar? Por que está tapando o olho?

Ele a ajuda a se sentar no sofá.

SUSAN           —   Ainda com a ideia de deixar de ser Tão Robert?

Ele meneia a cabeça que sim.

SUSAN           —   Aposto que você não está mais se aguentando, né?

Ele meneia a cabeça que não.

SUSAN           —   Pode fala seu bobo.

Ele pensa e instantes depois arremata.

ROBERT        —   Tá bom, Susan. Você conseguiu. Eu não estou me aguentando e precisava falar com você.

SUSAN           —   Sobre o quê?

ROBERT        —   Olha pra essa casa. Você não precisa viver assim.

SUSAN           —   Assim como?

ROBERT        —   Santo Deus! Como pode viver num chiqueiro desses e não se dar conta? Olha essa sala como está. Nem o closet da pessoa mais relaxada do mundo chega a esse nível de desorganização! Evidente que você não tem nenhum esquema organizacional.

Ela o encara séria por um instante e depois analisa a ferida no pé.

SUSAN           —   Olha, o corte no meu pé não foi profundo. Eu mesma vou fazer o curativo.

ROBERT        —   Não mude de assunto! A sua desorganização pode fazer com que um enxame de insetos se instalem aqui no quarto andar.

SUSAN           —   Sabe... Eu preferia mais quando você não falava.

CORTA PARA:

CENA 06. APART DE ROBERT. SALA. INT. DIA.

Robert andando de um lado para o outro.

ROBERT        —   (P/si) Por que tem que ser tão difícil ver as coisas e não poder falar? Concordar que o Richard é um bom professor foi a gota d’água! (Tem ideia) Continuar escrevendo sobre a minha fórmula para deixar de ser Tão Robert. Assim eu descarrego tudo!

Ele se senta à mesa e começa a digitar, Susan abre a porta mancando e com o pé enfaixado e arremata.

SUSAN           —   Desculpa interromper, escritor. Mas é que eu preciso de uma xícara de farinha!

Ele a encara seriamente, fazendo com que ela fique sem graça.

SUSAN           —   Eu deveria ter batido antes, né?

Ele sério, meneia a cabeça que sim.

SUSAN           —   Desculpe! Prometo que isso não vai mais acontecer. E aí, rola ou não rola a farinha?

Ele se levanta e vai até o armário. Susan se aproxima.

SUSAN           —   Se não for pedir demais eu gostaria de pedir um pouco de açúcar também!

ROBERT        —   Santo Deus! Já estamos nesse nível de intimidade, é?

Susan sorrir e nisso...

CORTA PARA:

CENA 07. UNIVERSIDADE. AUDITÓRIO. INT. DIA.

Auditório vazio. Richard guardando seus materiais de trabalho. Edward e Jason entram.

EDWARD       —   Ainda bem que você tá aqui.

RICHARD       —   Aconteceu alguma coisa?

JASON           —   Ainda não. Mas se acontecer, vamos desejar ter morrido.

RICHARD       —   Falem o que é que eu estou ficando preocupado. Foi alguma coisa com a piscina de banha da minha mãe?

EDWARD       —   Não! Você não vai acreditar... O Reitor está mesmo disposto a oferecer um cargo ao Robert.

RICHARD       —   Aqui na universidade?

EDWARD       —   É.

JASON           —   E a pior notícia ainda estar por vir.

EDWARD       —   O cargo que eles querem oferecer a ele, infelizmente fará com que ele fique na nossa cola.

RICHARD       —   Isso não pode acontecer! Com aquele lunático trabalhando aqui nós vamos ficar igual a ele. (voz robóticas) Vamos ser igual a ele. Vamos ser igual a ele.

EDWARD       —   Eu moro com ele e nem por isso sou igual a ele.

JASON           —   É, mas convenhamos que você não está em seu melhor estado.

Richard meneia a cabeça concordando e Edward fica indignado.

CORTA PARA:

CENA 09. APART DE ROBERT. SALA. INT. NOITE.

Robert sentado no sofá lendo seu livro de autoajuda. Edward, Richard e Jason chegam da universidade.

EDWARD       —   Robert, cheguei.

Ele dá um sinal de “OK” com o polegar.

RICHARD       —   Olha, vejo que ele ainda está usando a fórmula de não falar nada.

Robert pega um papel na mesinha e mostra a Richard com os dizeres:

RICHARD       —   (Lê) Você é um babaca! (P/Robert) Olha que isso não foi nada legal.

EDWARD       —   O que você fez de bom hoje o dia todo?

Robert pega dois papéis e mostra.

EDWARD       —   (Lê) Imaginei que perguntaria isso. Eu ajudei a Susan que cortou o pé. (P/Robert) A Susan cortou o pé? (Saindo) Eu preciso ver como ela está.

Edward sai. Robert indignado mostra outro papel.

JASON           —   (Lê) Não saia e me deixe falando sozinho! (P/Robert) Tarde demais.

RICHARD       —   Saiba que você não foi nada legal comigo.

Robert volta a mostrar o papel: “Você é um babaca!”.

CORTA PARA:

CENA 10. APART DE SUSAN. SALA. INT. NOITE.

Susan ali chorando e assistindo TV. Edward entra.

EDWARD       —   Susan! Você está bem? O Robert me falou que você se acidentou. Quer dizer... Ele não falou diretamente, escreveu num papel, mas enfim... Como você está?

SUSAN           —   Calma, Edward. Eu estou bem.

EDWARD       —   Você está chorando?

SUSAN           —   É que eu tô vendo um filme muito triste!

EDWARD       —   Ah, sim... Logo que você está bem, eu já vou indo.

SUSAN           —   Espere.

EDWARD       —   O quê?

SUSAN           —   Eu acho que deveríamos falar sobre o que aconteceu.

EDWARD       —   É... Concordo. O que você achou?

SUSAN           —   Como assim?

EDWARD       —   Eu quero saber se foi bom pra você?

SUSAN           —   Um beijo acidental e você me pergunta se foi bom? Você é inacreditável!

EDWARD       —   Ué! Pra mim não foi tão acidental assim.

SUSAN           —   Jura? Eu tropecei!

EDWARD       —   Eu sei, mas daí cair diretamente na minha boca...

SUSAN           —   Você não está querendo dizer que/

Ele a interrompe, beijando-a. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 11. APART DE ROBERT. SALA. INT. NOITE.

Robert sentado à mesa do computador. Richard e Jason ao lado dele provocando-o.

RICHARD       —   Você sabia, Jason, que só pessoas loucas vivem com tantas regras?

JASON           —   Eu não sabia meu caro, Richard.

RICHARD       —   Pois é. Segundo um estudo realizado em 2015, pessoas que vivem muito engessadas, com regras desnecessárias podem desenvolver ‘pessoafobia’!

JASON           —   Eu não sabia que existia isso.

RICHARD       —   Pois é, segundo dados do The University Chicago, essa nova modalidade de fobia atinge cerca de dois por cento da população do planeta.

JASON           —   (debochado) Então quer dizer que se conhecermos alguém assim, nós temos que levá-la para estudos em Chicago.

ROBERT        —   (explode) Chega!!! Vocês queriam me ver fora do sério não queriam? Pois bem, conseguiram! Não sei o que leva dois idiotas como vocês me zoarem pelo meu modo de viver. Vamos lá! Um cara solitário que vive com sua cadelinha de estimação ridícula e que vive ridiculamente também, não tem moral alguma pra falar de mim! E o outro, um homem de trinta anos malsucedido na carreira de professor que vive assediando as graduandas para conseguir alguma coisa, só que não consegue nada porque é um fracassado!

Ele vai para o quarto. Ouvimos a porta do quarto dele BATENDO.

JASON           —   Nossa! Ele explodiu!

RICHARD       —   Verdade.

JASON           —   Será que não fomos longe demais não?

RICHARD       —   Não sei. Mas que eu adorei ver essa cena, eu adorei.

JASON           —   Eu também.

Os dois ficam ali a sorrir.

CORTA PARA:

CENA 12. APART DE SUSAN. SALA. INT. NOITE.

Susan e Edward se agarrando intensamente no sofá.

SUSAN           —   (Reclama) Ai, Edward!

EDWARD       —   Que foi?

SUSAN           —   Beija direito. Não abre tanto a boca assim. Até parece que você quer devorar minha língua.

EDWARD       —   Desculpa.

Eles continuam a se agarrar. Se levantam e vão para o quarto se beijando intensamente. Susan ainda mancando.

SUSAN           —   (OFF) Nossa que pegada! Vem! Vem com tudo, Edward!

EDWARD       —   (OFF) Isso! Pede mais!

SUSAN           —   (OFF) Que isso? Mas já?  (Frustrada) Ai, Edward!

EDWARD       —   (OFF) Não me deixe na mão, Alfred! Que droga!

SUSAN           —   (OFF) É isso que chamam de velocidade da luz?

CORTA PARA:

 

FIM DO QUARTO EPISÓDIO




Totalmente Incorreto

Temporada 1 | Episódio 4

 

Criado e Escrito por:

Ramon Silva

 

Elenco:

Robert

Edward

Susan

Richard

Jason

Lisa

Seu Ribeiro

Reitor

 

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