Depois do Amor | Sessão Rajax



SINOPSE

Uma mulher de meia idade se vê em meio a uma crise no casamento, mas vê em um rapaz mais novo a paixão que há muito tempo não sentia. Enfrentando o preconceito da sociedade devido a diferença de idade, ela vai mostrar que a vida não termina quando você chega aos 50 anos.

 

PERSONAGENS DESTE FILME

CAROLINA - MALU MADER

VICENTE - BRUNO FERRARI

ALBERTO - MARCOS PALMEIRA

REGINA - SELMA EGREI



DEPOIS DO AMOR

Escrito por Gabriel Martins

 


CAROLINA (NARRAÇÃO) - Hoje eu decidi tomar uma decisão que mudará para sempre o rumo da minha vida… vou pedir o divórcio. Há anos meu casamento se acabou, a única coisa em que eu e meu esposo compartilhamos são as brigas. O amor? Ah, ele se acabou. Agora o que eu quero é descobrir o que vem depois do amor

CENA 01 / APARTAMENTO DE CAROLINA E ALBERTO / INTERIOR / SALA / NOITE.

Alberto chega do trabalho. Carolina o espera com as malas feitas. Ele então pergunta:

ALBERTO - Que malas são essas?

CAROLINA - São minhas. Eu decidi que é hora de darmos um tempo.

ALBERTO - Você quer se separar de mim? É isso?

CAROLINA - Ah Alberto, é. É sim. Do jeito que as coisas andam, é o melhor a se fazer.

ALBERTO - Como assim do jeito que as coisas andam, Carolina? Eu não estou lhe entendendo… não há nada de errado com o nosso casamento. Para de querer achar coisa onde não tem.

CAROLINA - Para você de querer tapar o sol com a peneira Alerto. Será que você não vê que o nosso casamento esta desmoronando cada vez mas? Todos os dias a gente briga. Nós não conseguimos nem fazer sequer uma refeição juntos sem brigar. O nosso casamento acabou, e você precisa aceitar isso de uma vez.

ALBERTO – Não. Eu não vou aceitar, porque eu sei que não acabou. Não pode acabar assim… tantos anos juntos jogados fora? E tudo por causa de um desentendimento?

CAROLINA – Não. Não foi um desentendimento, foram vários. Não tenta diminuir o tamanho do problema, Alberto. 

ALBERTO - Tá Carolina. Tá bom… eu posso não ter sido o melhor marido do mundo pra você, mas por favor: Vamos tentar mais uma vez. Não podemos simplesmente nos entregar assim de bandeja.

CAROLINA - Nós já entregamos Alberto, só você que não vê. Eu tentei sim dar um jeito nessa situação. Você pensa que é fácil pra mim abrir mão de tantos anos de história? Não, não é.

ALBERTO - Carolina, vamos tentar novamente. Eu e você, juntos.

CAROLINA – Não. Eu não quero mais. Eu já cheguei no meu limite e vou querer o divórcio Alberto. E para de me fazer tentar mudar de ideia, porque eu não vou voltar atrás.

ALBERTO - Tá bom, se você prefere assim tudo bem. Mas eu prefiro que eu saia. Não é justo você ir.

CAROLINA - Não Alberto. Muito obrigada, mais eu prefiro ir. Eu não conseguiria ficar aqui, sozinha relembrando o passado.

ALBERTO - Tá bom. Obrigado. Mas pensa no que eu te falei. Por favor! Não vamos deixar nosso casamento morrer assim, dessa maneira.

Ela sai.



CENA 02 / CASA DE REGINA / INTERIOR / COZINHA / DIA.

REGINA - Como assim se separar, minha filha? Seu casamento é perfeito. Você tem um marido fiel, uma vida confortável. Eu não entendo… pra que se separar?

CAROLINA - Por favor, né mãe. Você queria o que? Que eu ficasse em um casamento infeliz por causa de

conforto? Eu pedi o divórcio porque meu casamento acabou, caiu na rotina. A única coisa que eu e o Alberto fazíamos era: brigar, brigar e brigar. 

REGINA – Filha… brigas passam. Você tem que dar uma chance a ele.

CAROLINA - E eu não dei? Durante todos esses anos eu fui empurrando meu casamento pela barriga. Eu me sacrificava pensando que aquela situação um dia iria mudar. Mas o que acontecia? Nada! O Alberto não foi sequer capaz de notar que nosso casamento estava cada vez mais afundando.

REGINA - Filha...

CAROLINA - Não mãe. Eu não vou voltar atrás. Agora eu quero aproveitar a minha liberdade, voltar a pintar, a me dedicar ao que eu realmente gosto.

Alguns meses depois... 

CENA 03 / MUSEU DE ARTES DE SÃO PAULO / INTERIOR / DIA.

 

Carolina participa de sua primeira exposição, em um museu. Ela mal sabe que lá vai conhecer Vicente, um jovem rapaz, também pintor que se apaixonará por ela.
Carolina organiza seus quadros. Ela diz para si:

CAROLINA - Será que vão gostar?

Vicente a olha de longe.

VICENTE – Se aproximando - Seus quadros são lindos.

CAROLINA - Obrigada. Fico feliz que tenha gostado.

VICENTE -  Mas nenhum desses quadros é mais lindo que a pintora.

CAROLINA – Sorri - Para hein… assim eu fico sem graça.

VICENTE - Sem graça porque? É a verdade. Agora eu posso saber como se chama a artista?

CAROLINA - Me chamo Carolina Ribeiro. Muito prazer!


VICENTE - Me chamo Vicente Gomes. O prazer é todo meu!

CAROLINA - Então Vicente, você também pinta?

VICENTE – Sim, eu pinto. Faço quadros retratando a arte corporal.

CAROLINA - Sério? Acho tão lindo essa expressão de arte.

VICENTE - Pois é. Mas pena que nem todo mundo pensa assim.

CAROLINA - Pois é, tenho acompanhado a polêmica. Mas um dia esse pessoal vai se dar conta que a arte transforma.

VICENTE - Bom, eu só espero que seja rápido. Mas vem cá: Você vai fazer alguma coisa hoje à noite?

CAROLINA - Pera aí… deixa eu ver se entendi. Você tá me chamando pra sair?

VICENTE – Sim. Porque, algum problema?

CAROLINA – Não. É que… Olha a sua idade e olha a minha. Desculpa, mas não vai rolar.

VICENTE - Eu não acredito. Você tá me dispensando por causa da minha idade? Eu pensei que você fosse mais mente aberta.

CAROLINA - É que eu acabei de sair de uma relação conturbada. Não tenho cabeça pra pensar nisso agora.

VICENTE - Me dá uma chance. Eu não estou dizendo que quero sexo ou qualquer outra coisa com você. Eu quero sair, conversar; só isso. Não é nada demais. vai, me dá uma chance. Deixa de lado esse preconceito bobo. Quem manda na nossas vidas somos nós, não é a sociedade.

CAROLINA - Ah, quer saber… eu vou. É até bom que eu me distraio um pouco.

VICENTE - Isso mesmo, erga essa cabeça. Me passa seu numero pra mim te ligar e marcar tudo.

CAROLINA - Tá bom.

ANOITECE...

CENA 04 / BOATE / INTERIOR / NOITE.

CAROLINA - Quando eu cheguei aqui e vi que era uma balada, eu não acreditei.

VICENTE - Porque?

CAROLINA - Ah, você sabe né… quem frequenta baladas geralmente são jovens, e eu já tô passada da idade de frequentar isso aqui.

VICENTE - Ah para. De novo com esse papo? Você é linda, independente. – Olha nos olhos dela – Você não tem que ter vergonha de nada.

CAROLINA - Eu vou acabar acreditando, hein... Olha lá.

VICENTE – Vem! Vamos dançar!

CAROLINA – Eu vou ficar morrendo de vergonha.

Ele puxa ela para a pista, e os dois dançam.

VICENTE - Sabe? Você fica ainda mais bonita sorrindo.

CAROLINA – Sorri - Você também.

Os dois se aproximam. O clima começa a se esquentar, e fica difícil resistir. Os dois se beijam. Carolina após beijar Vicente sai correndo para a rua. Ele vai atrás.

CENA 05 / RUA / EXTERIOR / NOITE.

VICENTE - Espera!

Ela para:

VICENTE - Porque você fugiu de mim?

CAROLINA - Eu não devia ter te beijado, não é certo.


VICENTE - Porque?


CAROLINA - Olha a minha idade.

Ele interrompe:

VICENTE – Não. Você não vai usar mais uma vez a sua idade como desculpa. Eu já disse: eu te quero do jeito que você é. Não se vitimize. Você é linda, e se você quiser eu quero ser seu.

CAROLINA - Eu também quero. Mas o que os outros vão pensar?

VICENTE - Não importa o que os outros vão pensar. A vida é nossa. Eu não vou abrir mão de viver uma história de amor incrível por causa de comentários de terceiros. Se você realmente me quer, eu te peço: Se entrega a essa paixão. Se entrega que você não vai se arrepender.

Eles se beijam.

VICENTE - Vamos pra minha casa.

CENA 06 / APARTAMENTO DE VICENTE / INTERIOR / QUARTO / NOITE.

Carolina e Vicente transam.

Amanhece...

VICENTE – Então… Foi ruim?

CAROLINA - Foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos, faz anos que eu não sei o que é isso. Não foi só sexo, foi algo mais, eu acho que foi amor...

VICENTE - Eu vou preparar um café pra nós.

Um tempo depois...

CAROLINA - Hum, esse café tá uma delícia.

VICENTE - Que bom que gostou.

 

CAROLINA - Olha Vicente, eu quero te perguntar.

VICENTE - Sim.

CAROLINA - Foi só uma noite? Ou não?

VICENTE - Claro que não, como você pode me perguntar isso? Eu já deixei claro que te quero para mais de uma noite, te quero para todas as noites e dias, pelo resto da minha vida. Isso se você me aceitar, é claro.

CAROLINA - É claro que eu aceito. Me perdoe, é que eu sou mesmo insegura, eu tenho medo de me machucar.

Eles se beijam.

CAROLINA - Eu já vou indo.

VICENTE - Já?

CAROLINA - Eu tenho que ir mesmo, se eu pudesse eu ficava aqui o dia todo.

VICENTE - Vem aqui mais tarde.

CAROLINA - Tá, eu venho!

CENA 07 / CASA DE REGINA / INTERIOR / SALA / DIA.

Regina conversa com Alberto pelo telefone:

REGINA - Meu querido, eu te peço, não desista da Carolina, Eela não sabe o que fez. A crise logo vai passar, todo casal tem crise, isso é normal, e quando elas passam o casamento retorna muito melhor, você vai ver.

ALBERTO - Eu não sei dona Regina, a Carolina parecia estar muito confiante de que era isso mesmo o que ela queria.

REGINA - É bobagem, isso é coisa da cabeça dela. Fica tranquilo que eu vou dar um jeito de fazer a cabeça dela, você vai ver… logo, logo vocês vão estar juntos.

Ela ouve um barulho no portão, e diz:

 

REGINA - Vou desligar, ela chegou.

Ela desliga o telefone, Carolina entra na casa:

CAROLINA - Bom dia!

REGINA - Bom dia para a senhora também. Mas onde você se meteu? Passou a madrugada toda fora de casa… Filha, você não foi atrás de homem? Me diga que não!

CAROLINA - Ai mãe, mal cheguei e você já me vem com sermão? Eu já sou adulta até demais, a senhora não acha não? Já tenho 50 anos...

REGINA - Não me enrola filha. Diga logo de uma vez!

CAROLINA - Tá bom, eu vou contar. Uma hora ou outra a senhora iria ficar sabendo mesmo…

REGINA – Desembucha.

CAROLINA - Eu conheci um rapaz. Lembra daquela exposição que eu participei no Museu? Então... Naquele dia um rapaz veio puxar papo comigo, a gente foi ficando próximos, e ontem saímos para nos divertir, e acabou rolando.

REGINA - Eu não acredito minha filha. Eu não acredito que você foi capaz de trair o Alberto na primeira oportunidade que apareceu.

CAROLINA - Oi? Trair o Alberto? Eu não tenho mais nada com ele. Como vou trair alguém que nem compromisso eu tenho mais?

REGINA - Como não tem nada? Um casamento de anos não significa mais nada pra você?

CAROLINA - Quantas vezes eu tenho que te dizer que meu casamento acabou? Aceita logo de uma vez! E outra, eu tenho o direito de recomeçar minha vida com quem eu quiser, a hora que eu quiser.

REGINA - Eu já vi que você não vai querer me ouvir.

CAROLINA - Não, eu não vou querer mesmo.
REGINA - Só me diz uma coisa. Você disse que está namorando um rapaz, ele é rapaz mesmo? Ou foi só maneira de dizer?

CAROLINA - Sim, ele é rapaz mesmo. Ele tem 28 anos!

REGINA - Eu não acredito. Que sandice é essa minha filha? Onde já se viu, uma mulher de cinquenta anos como você namorar um rapazote? Você não tem noção do ridículo não, minha filha?

CAROLINA - Eu amo ele!

REGINA - Ama? Você nem sabe o que é amor minha filha, se soubesse não teria se separado do seu marido!

CAROLINA - Eu sei, tanto sei que me separei. Divórcio não significa nada, o amor vem e vai, a senhora que não deve saber o que é amor, não é?

REGINA - Já chega. E se esse rapaz tiver de olho no seu dinheiro?

CAROLINA - Não, ele não está, ele tem dinheiro o suficiente, até mais que eu, eu vi o apartamento dele e sei que é de gente rica.

REGINA - Eu não confio. Eu não consigo acreditar nessa relação.

CAROLINA - Eu também não acreditava. No começo eu tinha medo, achava ridículo uma mulher da minha idade ficar com um rapaz tão novo. Ainda estou me acostumando, mas eu sei que é real, eu vejo a certeza nele, e confio plenamente. A senhora vai ver que é verdade. Eu não vou deixar de viver uma história linda por sua causa ou por causa do Alberto!

REGINA - Meu Deus…

CAROLINA - Eu vou tomar uma ducha.

Regina fica sozinha, ela então liga para Alberto e conta tudo sobre Vicente:

ALBERTO - Um rapaz? Me trocou por um rapaz?

REGINA - Sim, pra você ver...

ALBERTO - Eu vou aí. Vou conversar com a Carolina.

REGINA - Vem meu filho. Pelo amor de Deus, vê se ponha um pouco de juízo na cabeça dela.

CENA 08 / CASA DE REGINA / EXTERIOR / NOITE.

Carolina está de saída, mas Alberto vem em sua direção para falar com ela:

ALBERTO - Carolina!

CAROLINA - O que você está fazendo aqui? 

ALBERTO - Vim conversar com você. Fiquei sabendo que você está se envolvendo com um rapaz. 

CAROLINA - Foi minha mãe quem te contou? Não foi?

ALBERTO - Sim, foi ela.

CAROLINA - Ela não tinha esse direito.

ALBERTO - Sua mãe se preocupa com você, e eu também. Você não vê o perigo que está correndo?

CAROLINA - Oi? Perigo? Você e minha mãe só podem estar de brincadeira mesmo… Eu não estou correndo perigo nenhum, o Vicente é uma pessoa digna, muito responsável. Parem de criar caraminholas na cabeça de vocês e vê se me deixem em paz.

ALBERTO - E você acha mesmo que um rapaz se interessaria por uma mulher mais velha? Ele deve estar de olho em seu dinheiro.

CAROLINA - Para Alberto. Já chega! Ele tem condições de vida muito melhores que a minha, e você sabe que eu não tenho dinheiro algum. Eu nunca trabalhei, sempre me dediquei ao lar, somente agora que estou conseguindo a minha independência financeira. Se seu objetivo era me fazer desistir, você caiu do cavalo. Boa noite!

Ela sai.


CENA 09 / APARTAMENTO DE VICENTE / INTERIOR / SALA / NOITE.

Carolina conta a Vicente que sua mãe e Alberto querem que ela desista dele:

VICENTE - Eu não acredito. Seu ex marido eu até entendo, ele deve estar abalado com o divórcio. Mas sua mãe? Ela deveria ser a primeira a ficar feliz por você.

CAROLINA – Pois é, pra eles você só está interessado no meu dinheiro. Aliás dinheiro este que nem tenho muito. Você tem condições de vida muito melhores que as minha.

VICENTE - Nem me fale…

CAROLINA - Porque? Algum problema?

VICENTE - Você vai se casar comigo, então eu tenho que te contar.

CAROLINA - Vou?

VICENTE – Ri - É claro que vai!

CAROLINA - Ri - convencido. Mas então, me diga. O que iria dizer?

VICENTE - Essa vida luxuosa que eu tenho não me orgulha muito. Esse apartamento é um dos empreendimentos de meu pai, ele é dono de uma construtora. O meu pai é um criminoso!

CAROLINA - Como assim? Me conte melhor, eu não estou entendendo!

VICENTE - Meu pai é um homem muito influente, sempre teve amigos poderosos e ricos, graças a eles que a empresa da minha família sempre vencia as licitações de obras públicas pelo país afora. E meu pai ajuda esses políticos a superfaturar obras e a desviar dinheiro público. 
CAROLINA - Meu Deus, Vicente, isso é muito grave.

VICENTE - Sim, eu sei que é duro, mas é a verdade. E o pior é que eu sei de tudo isso mas não tenho coragem de ir até a polícia e contar tudo o que sei.

CAROLINA - Eu te entendo, é seu pai.

VICENTE - Sim, mas isso vai contra todos os ideais que eu prego e acredito e, é justamente por isso que eu me afastei de meu pai, eu e ele brigamos, não nos damos bem hoje em dia.

CAROLINA - Meu amor, eu não poderia imaginar que você vive tudo isso.

VICENTE - Eu quero denunciar meu pai.

CAROLINA - Tem certeza?

VICENTE – Tenho.

CAROLINA - Eu vou estar com você, seja forte!

VICENTE – Obrigado.

Um dia depois…

CENA 10 / APARTAMENTO DE VICENTE / INTERIOR / SALA / DIA.

Vicente e Carolina chegam da delegacia:

VICENTE - Obrigado por ter ido me acompanhar, foi duro para mim, mas de certa forma sua presença me aliviou.

CAROLINA - Imagina, não há o que agradecer.

VICENTE - Só estou com medo da reação dos meus pais quando souberem que eu os denunciei.

CAROLINA - A denúncia é anônima, eles não saberão quem foi.

VICENTE - Eles saberão sim. Há coisas que eu disse lá que só eu sabia.

CAROLINA - Você não tem que ter medo, você tem que ter a consciência de que fez a coisa certa. Quem tem que ter medo e vergonha são eles, eles é que desviaram dinheiro. Você é um rapaz honesto, lindo e íntegro. Saiba que hoje você me encheu de orgulho mais uma vez. 

VICENTE - Agora com suas palavras, sinto-me mais confortável.

CAROLINA - Isso meu amor.

VICENTE - Vem!

CAROLINA - Pra onde?

VICENTE - Para o meu estúdio. Eu quero te pintar!

Ela vai:

CENA 11 / ESTÚDIO DE VICENTE / INTERIOR / DIA.

VICENTE - Tira a roupa!

CAROLINA - Você quer me pintar nua?

VICENTE - Sim, algum problema?

CAROLINA - Nenhum.

VICENTE - Então vem logo!

Ela tira as roupas e posa para ele que a pinta.

CAROLINA - Sabe, muitas pessoas consideram o ato de ficar pelados vulgar… 

VICENTE - Sim.

CAROLINA - Mas eu acho tão lindo, o nosso corpo é perfeito, é belo.

VICENTE - O nù, o sexo não são nada vulgar. As pessoas é que transformam algo natural em vulgaridade.

CAROLINA - Sim.

VICENTE - Muitas pessoas riem, sentem nojo e até mesmo repudiam o sexo, mas o sexo é a coisa mais linda que existe, o sexo traz à vida, somos todos frutos do sexo. Não deveríamos repudiar algo lindo, vital e que nos dá muito prazer.

CAROLINA - Ah meu amor, as pessoas complicam demais a vida. Com seus pudores, que as vezes não passam de meras máscaras que tampam a verdade, ou com regras religiosas sem fundamento algum.

VICENTE - Mas chega de falar das pessoas. Vamos falar de nós.

CAROLINA - Sim – risos.

Eles se beijam e transam.

Dias depois…

CENA 12 / APARTAMENTO DE VICENTE / INTERIOR / SALA / DIA.

CAROLINA - Vicente, lembra que eu aceitei vir morar com você?

VICENTE - Sim.

CAROLINA - Mas antes eu quero que você conheça minha mãe.

VICENTE - Tem certeza meu amor?

CAROLINA - Claro! Você tá com medo?

VICENTE - Sim. Confesso que estou, ainda mas depois de tudo o que você me disse sobre ela não me querer ao seu lado.

CAROLINA - Eu sei, eu te entendo, mas saiba que ela não vai me convencer a te deixar. Eu só quero que vocês se conheçam, e quem sabe possam se entender. Vai, faz isso por mim!

VICENTE - Tá bom, por você eu faço!

CENA 13 / CASA DE REGINA / INTERIOR / SALA / NOITE.

Carolina entra:
CAROLINA - Mãe, eu vim pegar minhas coisas.

REGINA - Vai mesmo morar com aquele rapaz? Nem mesmo se casou e já vai juntar as escovas de dentes? Sinceramente minha filha...

CAROLINA - Sim, eu vou mãe, e saiba que casamento não é uma coisa que não os interessa por agora. Ele está aqui. Entre Vicente!

Ele entra na casa. Regina fica sem reação:

VICENTE - Boa noite!

REGINA – Tensa - Boa noite!

VICENTE - É um prazer lhe conhecer, sua filha me falou muito de você.

REGINA - Desconfortável - É mesmo? Fico feliz por vocês.

CAROLINA - Amor, vai levando essas caixas para o carro por favor!

VICENTE - Sim.

Ela puxa a mãe para o canto:

CAROLINA - Poxa mãe, a senhora poderia pelo menos disfarçar que não esta desconfortável.

REGINA - Tá bom minha filha, eu vou tentar. Você sabe que eu não fui com a cara desse rapaz, mas por você eu vou tentar.

CAROLINA - Obrigada.

Um tempinho depois…

REGINA - Minha filha, Vicente. Eu queria que vocês viessem almoçar aqui qualquer dia desses.

VICENTE - Tá bem, nós aceitamos.

CAROLINA - Tchau mãe!

REGINA - Vai com Deus minha filha!

CENA 14 / CARRO / INTERIOR / NOITE.

VICENTE - Sua mãe ficou bem desconfortável.

CAROLINA - Pois é. Mas eu acho que desta vez ela entendeu que minha escolha não tem volta.

Amanhece…

CENA 15 / CASA DE REGINA / INTERIOR / SALA / DIA.

Regina recebe Alberto em sua casa:

REGINA - Ah meu filho, ontem a Carolina veio pegar as coisas dela aqui, e o rapaz veio junto.

ALBERTO - É parece que ela esta mesmo decidida a se casar com esse rapaz.

REGINA - Casar? – Risos - Que casar que nada, ela me disse que o casamento não esta nos planos deles. Só querem mesmo é se juntar.

ALBERTO - Sabe dona Regina, eu acho que é melhor eu me afastar da Carolina, ela já disse com todas as letras que não quer mas nada comigo.

REGINA - Desistir? Assim, Tão fácil?

ALBERTO - Dona Regina, eu não posso obrigar a Carolina a me amar.Se ela não me ama e não me quer mas, o que eu posso fazer? Eu não vou obrigar ela a me amar, eu não tenho esse direito. O melhor mesmo é nos separarmos. Agora ela já tem esse rapaz, as coisas ficaram difíceis pra mim. Agora que ela tem um novo amor, ela não voltará a pensar em mim. Eu tenho que aceitar isso, e a senhora também.

REGINA - Eu não consigo, eu não consigo aceitar, não consigo engolir isso.

ALBERTO - Tente, é a felicidade de sua filha que está em jogo. Eu vou dar o divórcio a ela, se ela um dia se arrepender eu estarei a esperando, de braços abertos.

Dias depois…

CENA 16 / APARTAMENTO DE VICENTE / INTERIOR / SALA / NOITE.

CAROLINA - É amanhã, nem acredito!

VICENTE - Amanhã você ficará livre para recomeçar sua vida de vez.

Amanhece…

CENA 17 / CARTÓRIO / INTERIOR / DIA.

Carolina e Alberto assinam o divórcio:

ALBERTO - Bom, agora finalmente você se livrou de mim.

CAROLINA - Não, não diga isso. Eu não quero me livrar de você, eu só queria me separar. Alberto, eu quero muito continuar a ter você em minha vida, só que agora como amigo. Você aceita?


ALBERTO - É claro!

CAROLINA - Me dá um abraço!

Eles se abraçam:

CAROLINA - Obrigada, eu fui muito feliz ao seu lado, eu nunca vou esquecer todos os momentos bons que a gente viveu. Só que agora eu vou começar um novo ciclo na minha vida, mas eu nunca vou te esquecer, e de certa forma eu ainda te amo.

CENA 18 / APARTAMENTO  DE VICENTE / INTERIOR / SALA / DIA.

VICENTE - O que acha de irmos almoçar na casa de sua mãe?

CAROLINA - Ótimo!

VICENTE - Então vamos.

CENA 19 / CASA DE REGINA / INTERIOR / COZINHA / DIA.

 

Eles almoçam:

REGINA - Sabe minha filha, eu fico muito feliz por você, eu vejo que você tá muito feliz, e é isso o que importa. Eu andei conversando com um amigo, e ele me abriu os olhos. Eu tenho que te apoiar acima de tudo.

CAROLINA – Ah mãe, fico tão feliz que a senhora nos entendeu e aceitou nossa relação. Estou muio feliz.

REGINA - E quando a você Vicente, eu duvidei de sua honestidade e de seu amor por minha filha. Mas lhe peço desculpas, eu julguei sem conhecer, disse sem saber, minha filha é mulher, é adulta, sabe ter sua próprias decisões, e ela acertou em cheio. Você é um homem muito valoroso, e fará minha filha feliz, eu tenho certeza. 

VICENTE - Sim dona Regina, que bom que nos entendemos. Isso é o que importa, o que dissemos, ou fizemos no passado, fica no passado.

REGINA - Sim.


Eles se abraçam:

CAROLINA - Vamos indo mãe, queremos passear no Ibirapuera.

REGINA - Vão com Deus!

CENA 20 / PARQUE DO IBIRAPUERA / EXTERIOR / DIA.

Carolina e Vicente caminham pelo parque:

CAROLINA - Sabe, agora as coisas finalmente entraram-se nos eixos.

VICENTE - Pois é.

CAROLINA - Eu estou tão feliz,que nem sei se mereço.

VICENTE - É claro que merece. Você é uma mulher forte, guerreira, batalhadora e linda. É uma mulher de verdade!


CAROLINA - Modéstia à parte, mas eu sou mesmo! -risos.

Eles se beijam!

CAROLINA (NARRAÇÃO) - Agora eu descobri o que vem depois do amor. Vem mais amor, porque ele nunca acaba. Nunca é tarde para amar, não há sexo, cor, e nem idade. O que há é: simplesmente amor.

FIM.


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